O cenário geopolítico no Oriente Médio voltou ao nível máximo de tensão na véspera das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos (midterms).
O Irã intensificou o tom e a mobilização militar diante dos indicativos de que as forças norte-americanas e israelenses podem retomar uma ofensiva em larga escala contra o país.
A preocupação de Teerã ganhou contornos práticos no início desta semana, quando foram registrados ataques pontuais de forças dos EUA contra alvos estratégicos iranianos na ilha de Qeshm, localizada no Estreito de Ormuz.
A ação é apontada como a primeira movimentação ostensiva dos EUA no território iraniano desde meados de setembro.
Cúpula militar e ordens do Líder Supremo
Em 31 de outubro, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Irã, major-general Ali Abdollahi, tornou público que o país persa monitora continuamente os passos das tropas dos EUA.
Segundo Abdollahi, o banco de alvos estratégico das forças iranianas foi atualizado. Ele alertou que as tropas iranianas não esperarão o início de uma agressão hostil para agir, prometendo uma reação imediata, impactante e sem limitações geográficas.
O posicionamento militar ocorreu logo após uma reunião de emergência da cúpula das Forças Armadas com o líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei.
No encontro, Khamenei ordenou prontidão total para contra-atacar eventuais investidas americanas.
Histórico da escalada no conflito
A atual crise entre os dois países insere-se em um histórico de confrontos ao longo deste ano:
Em 28 de fevereiro, os EUA e Israel iniciaram uma campanha de ataques preventivos contra instalações iranianas sob a alegação de bloquear o programa nuclear do país. Em resposta, Teerã atingiu bases americanas na região e impôs bloqueios no Estreito de Ormuz.
Em 8 de abril, um cessar-fogo provisório foi estabelecido e estendido temporariamente, culminando em um memorando de entendimento com 14 pontos firmado em junho.
Em 7 de julho, as tréguas foram rompidas por ordens do presidente Donald Trump, sob a justificativa de responder a ataques iranianos a navios mercantes.
As operações foram reduzidas em agosto para dar espaço a negociações indiretas mediadas pelo Catar e pelo Paquistão.
Recentemente, Teerã chegou a apresentar um plano de sete etapas para a reabertura do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, mas o diálogo permaneceu sem resposta conclusiva da Casa Branca.
Fator eleitoral e pressão internacional
A aproximação das urnas norte-americanas e o cenário político em Israel aceleraram as especulações sobre os próximos passos da guerra.
De acordo com reportagens da imprensa internacional, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, estaria pressionando por uma linha mais dura e por ações definitivas contra o programa de enriquecimento de urânio do Irã.
Embora o governo norte-americano mantenha tratativas diplomáticas em aberto via Catar, Donald Trump indicou em declarações recentes que a situação militar com o Irã deve ter um desfecho em breve, sem descartar a retomada dos bombardeios assim que o pleito for encerrado.

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