As eleições de meio de mandato (midterms) nos Estados Unidos resultaram em uma mudança decisiva na correlação de forças em Washington.

Segundo projeções oficiais, o Partido Democrata recuperou o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, retirando o domínio republicano nas duas Casas legislativas nos dois anos finais do mandato do presidente Donald Trump.

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A guinada nas urnas ocorreu em um momento de desgaste econômico e de insatisfação popular.

Uma pesquisa nacional realizada pelo instituto Reuters/Ipsos com 1.765 adultos revelou os principais fatores que motivaram as escolhas do eleitorado americano.

1. Custo de vida e inflação
O aumento do custo de vida consolidou-se como o principal motor do voto para 48% dos eleitores registrados. Outros 26% citaram a defesa das normas democráticas e 13% apontaram a imigração.

A disparada nos preços dos combustíveis — impulsionada pelo conflito envolvendo EUA, Israel e Irã no Oriente Médio — pesou diretamente no orçamento das famílias.

2. O fator Donald Trump
Embora não estivesse disputando um cargo diretamente, o presidente incentivou sua base a encarar o pleito como um plebiscito sobre sua gestão.

O levantamento mostrou que 48% dos votantes utilizaram o voto como uma manifestação direta contra Trump, enquanto 25% votaram a favor do presidente e outros 25% afirmaram que ele não influenciou a decisão.

3. Acontecimentos no Irã
A condução da política externa e as operações militares no Oriente Médio dividiram a opinião pública.

Enquanto a Casa Branca defendeu a ação como necessária para conter o programa nuclear iraniano, apenas 25% dos eleitores concordaram que a intervenção militar valeu a pena, contra 55% que discordaram da medida.

4. Integridade do processo eleitoral
A confiança no sistema de votação permaneceu elevada, com 77% dos entrevistados declarando certeza de que seus votos serão contabilizados corretamente.

Por outro lado, 45% demonstraram preocupação com fraudes generalizadas, em meio ao debate público sobre regras de verificação de cidadania e segurança da apuração.

5. Impacto nas finanças domésticas
A percepção sobre a economia pessoal sofreu forte deterioração. Cerca de 49% dos americanos declararam que sua situação financeira piorou desde janeiro de 2025, quando Trump assumiu o novo mandato, contra apenas 13% que relataram melhora.

O impacto foi sentido de forma acentuada entre o eleitorado hispânico, no qual 54% apontaram perda no poder de compra familiar.

6. Regulamentação de centros de dados de IA
Uma pauta emergente ganhou espaço no debate eleitoral: 42% dos eleitores consideraram muito importante ou prioritária a discussão sobre impor limites à construção de grandes centros de dados (data centers) voltados ao abastecimento de sistemas de inteligência artificial, devido ao consumo energético e ao impacto ambiental local.

7. Avaliação das propostas partidárias
Apesar da vitória democrata, o eleitorado indicou uma postura pragmática e dividida em relação às plataformas políticas.

Aproximadamente 43% dos eleitores afirmaram que os democratas possuem boas ideias para os problemas do país, enquanto 39% disseram o mesmo sobre as propostas apresentadas pelo Partido Republicano.